
crédito da imagem: NIAID
A malária é causada pelo protozoários do gênero plasmódio, que parasitam os seres humanos e os mosquitos anofelinos. A doença mata cerca de 1 milhão de pessoas todo ano no mundo. No Brasil, 610 mil pessoas foram contagiadas em 2006 e perto de 310 mil em 2009, segundo o Ministério da Saúde. O número corresponde a 60% de todos os casos na região amazônica.
Centro Internacional Peruano/brasileiro de Excelência em Pesquisa de Malária (Icerm)
Cientistas do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) e da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP farão parte de um grupo trinacional (Brasil, Peru e EUA) que vai pesquisar as características da transmissão de malária na Amazônia brasileira e peruana.
Os pesquisadores integrarão o Centro Internacional Peruano/brasileiro de Excelência em Pesquisa de Malária (Icerm), um órgão sem sede, que a partir de setembro vai agregar e financiar pesquisadores de oito instituições diferentes.
O grupo teve assegurado US$ 9,2 milhões do governo dos EUA para pesquisar por sete anos pelos Institutos Nacionais de Saúde. O objetivo é dar bases científicas para medidas de saúde pública na região.
Os pesquisadores brasileiros também receberão verbas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Cnpq) e do Ministério da Saúde.
Brasil, Peru e EUA
As pesquisas de campo acontecerão em Acrelândia, zona rural do Acre, e nas cidades peruanas de Iquitos e Puerto Maldonado — uma região mineradora onde novas estradas estão contribuindo para espalhar a doença.
As amostras de sangue brasileiras serão examinadas no ICB e na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Os mosquitos serão estudados na FSP e na Unesp de Botucatu. As amostras peruanas serão estudadas na Universidade Peruana Cayetano Heredia, em Lima, Peru. Também colaborarão pesquisadores da Universidade Federal do Acre, do Departamento de Saúde de Nova York, da Universidade Johns Hopkins e do destacamento em Lima do Centro Médico Naval dos Estados Unidos.
O Icerm brasileiro/peruano faz parte de uma rede de dez centros semelhantes em regiões onde a transmissão de malária é importante — como a África subsaariana, sudeste da Ásia, Índia e Papua Nova Guiné.
No Brasil, já começaram as pesquisas mais importantes, que vão focar nas pessoas com infecções assintomáticas. Os cientistas estudam qual a proporção das pessoas com infecção assintomática, quantos tem parasitas que podem infectar mosquitos e como o organismo das pessoas adquire resistência ao parasita sem conseguir eliminá-lo por completo. Eles também testarão a hipótese de que a infecção assintomática protegeria de uma infecção com sintomas.
Mais informações: (11) 3091-7746,
email: muferrei@usp.br
site: http://www.niaid.nih.gov/news/newsreleases/2010/Pages/MalariaICEMR.aspx
Fonte:
O tema que vou falar
Requer respeito e atenção
Pois se trata de uma mensagem
De uma boa informação
Hanseníase tem cura
Divulgar é a solução
autora: Lilian Larissa A. da Silva
A hanseníase ao longo da História - Laurinda Maciel, historiadora da Casa de Oswaldo Cruz (COC)
Aspectos epidemiológicos - Maria Eugenia Noviski Gallo, chefe do Laboratório de Hanseníase do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) da Fiocruz
Modo de transmissão, diagnóstico e tratamento - Maria Eugenia Noviski Gallo, chefe do Laboratório de Hanseníase do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) da Fiocruz
Complicações, profilaxia e prevenção - Maria Eugenia Noviski Gallo, chefe do Laboratório de Hanseníase do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) da Fiocruz
O papel da Fiocruz: assistência, pesquisa e ensino - Maria Eugenia Noviski Gallo, chefe do Laboratório de Hanseníase do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) da Fiocruz
Leia o cordel Hanseníase, do isolamento à cura - Lilian Larissa A. da Silva, na época em que o cordel foi escrito (outubro de 2002), a autora tinha 12 anos e cursava a 6ª série no Colégio Atual de Olinda, em Pernambuco
Fonte original:

A maior polêmica da Copa do Mundo na África do Sul até o momento ainda não tem uma conclusão. Para alguns, a bola oficial do evento, denominada Jabulani (“celebração”, em zulu), representa uma notável evolução do ponto de vista tecnológico. Para outros, o resultado deixou a desejar.
As maiores críticas foram com relação aos movimentos imprevisíveis, promovidos pela resposta aerodinâmica da nova bola, especialmente nos chutes mais fortes.
Pesquisadores da Nasa e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), decidiram avaliar o comportamento da Jabulani.
No Centro de Pesquisa Ames da Nasa, na Califórnia, foram feitos testes para comparar a bola com a usada na Copa de 2006 na Alemanha, a Teamgeist (“espírito de equipe”). A Teamgeist, no lugar dos hexágonos costurados das bolas tradicionais, tinha oito painéis fundidos por um processo térmico, que elimina a necessidade de costura, mesmo interna, entre eles. A Jabulani tem 14 painéis e ganhou sulcos aerodinâmicos.
A conclusão da Nasa é que com a Jabulani os jogadores não deverão ter melhor controle do que com a Teamgeist. “É bem óbvio. O que estamos vendo é um efeito knuckle-ball”, disse Rabi Mehta, engenheiro aeroespacial no centro Ames. Knuckle-ball é um arremesso no beisebol no qual a bola não é segura com os dedos, mas sim com seus nós, resultando em movimento com acentuada curva e imprevisível para o rebatedor.
Segundo Mehta, quando a Jabulani se desloca em velocidade elevada, o ar próximo à superfície é afetado pela sua superfície, resultando em um fluxo assimétrico. Essa assimetria cria forças laterais que podem resultar em mudanças súbitas no percurso. De acordo com o cientista, a Jabulani tende a assumir o efeito knuckle ao superar os 75 km/h, o que corresponde a um chute forte.
Outro ponto a se considerar, segundo Mehta, é que vários dos estádios em que ocorrem os jogos na Copa da África do Sul estão em altitude elevada (Joanesburgo, por exemplo, fica a cerca de 1.600 metros do nível do mar). “Isso afeta a aerodinâmica da bola, uma vez que a densidade do ar é menor. Em altitudes altas, a bola tende a se deslocar mais rapidamente, com menos empuxo”, disse.
Maior arrasto
Os pesquisadores Gilder Nader e Antonio Luiz Pacífico, do Laboratório de Vazão do IPT, realizaram testes no túnel de vento atmosférico do instituto com bolas de torneios oficiais de futebol.
Foram testadas as bolas do campeonato Paulista e Brasileiro deste ano e das copas de 2006 e 2010. Os testes foram encomendados pela Rede Globo. Segundo Nader, foram feitas medições com visualização do escoamento de ar em volta de cada bola. Para isto foi utilizado o sistema PIV (“Particle Image Velocimetry”) com emprego de raios laser.
“Verificamos que a bola do Campeonato Brasileiro, por exemplo, com superfície mais rugosa, do tipo clássico, tem coeficiente de arrasto (resistência ao ar) mais baixo e bom deslocamento. As bolas das Copas apresentaram um ‘descolamento’ mais rápido e maior coeficiente de arrasto”, disse.
Ao ser chutada, a bola ganha uma velocidade inicial que vai diminuindo até que, em um determinado momento, atinge o chamado “ponto de crise de arrasto”, explicou Gilder.
“É quando ela faz uma curva. Com a bola do ‘Brasileirão’, esse ponto demorou mais para ser alcançado, em uma velocidade de aproximadamente 13 metros por segundo. A Jabulani atinge esse ponto e faz a curva bem antes, em uma velocidade que ainda vamos medir com exatidão”, disse.
As bolas de futebol evoluem constantemente, com as grandes novidades surgindo justamente em cada Copa do Mundo. As atuais, e não apenas a Jabulani, são muito diferentes das usadas há meio século. Na Copa da Suécia, em 1958, por exemplo, a bola era de couro curtido, chamada de “capotão”, pesada e que se encharcava em dias chuvosos, dificultando a precisão dos chutes.
Fonte:

Um novo estudo afirma que a malária é ainda mais antiga do que se estimava. Segundo o grupo internacional responsável pela pesquisa, a doença é tão velha como a própria humanidade.
Em artigo publicado (17/6), na revista Current Biology, François Balloux, do Imperial College London, no Reino Unido, e colegas descrevem que a doença infecciosa tropical evoluiu simultaneamente com o homem moderno, acompanhando a migração da África há mais de 60 mil anos.
A doença, causada por protozoários parasitas do gênero Plasmodium e transmitidos pelo mosquito Anopheles, causa entre 1 milhão e 3 milhões de mortes ao ano, entre mais de 230 milhões de casos.
“A maioria dos trabalhos que investigam como a malária se espalhou pelo mundo adota a premissa de que ela surgiu ao mesmo tempo que a agricultura, há cerca de 10 mil anos. Mas nossa pesquisa indica que o parasita da malária evoluiu e se espalhou com os humanos, sendo pelo menos tão antigo como o evento da expansão humana para fora da África”, disse Balloux.
Os plasmódios foram caracterizados por meio de sequenciamento de seu DNA, de modo que fosse possível calcular a idade do parasita e rastrear o progresso da malária pelos trópicos.
Os cientistas descobriram uma relação entre a diminuição da diversidade genética à medida que se distancia da África subsaariana. Isso, segundo eles, espelha os mesmos dados presentes nos humanos, indicando forte evidência de evolução e migração simultânea.

Crédito da imagem: G. Di Achille, University of Colorado
Um estudo, feito por Gaetano Di Achille e Brian M. Hynek, da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, indica que Marte teve, há cerca de 3,5 bilhões de anos, um ciclo hidrológico semelhante ao existente atualmente na Terra.
O ciclo, de acordo com estudo publicado neste domingo (13/6) na revista Nature Geoscience, incluía o acúmulo de água no subterrâneo e a formação de nuvens, chuvas, rios e um oceano que cobria mais de um terço da superfície marciana.
O oceano teria tido um volume de 124 milhões de quilômetros cúbicos de água. O volume é menos de dez vezes o existente atualmente na Terra, mas ainda assim suficiente para formar uma camada de água com 500 metros de profundidade por todo o planeta vermelho.
O estudo é o primeiro a combinar a análise de características relacionadas à agua, incluindo depósitos de deltas e milhares de vales de rios, de modo a investigar a ocorrência de um oceano sustentado por uma hidrosfera global no passado marciano.
Mais da metade dos 52 deltas de depósitos de rios identificados no novo estudo – cada um dos quais com numerosos vales – marcavam os limites do eventual oceano, uma vez que tinham aproximadamente a mesma elevação.
Dos deltas, 29 estavam ligados ao oceano ou a diversos lagos adjacentes de grande volume. Os pesquisadores combinaram dados obtidos por diversas missões das agências espaciais norte-americana (Nasa) e europeia (ESA).
Um segundo artigo, publicado simultaneamente no Journal of Geophysical Research, feito por Brian Michael Hynek e Monica Hoke, também da Universidade do Colorado, descreve a identificação de 40 mil vales formados por rios em Marte. O número é cerca de quatro vezes maior do que havia sido identificado previamente.
Os vales eram fontes de sedimentos carregados pelas correntes e levados aos deltas adjacentes ao suposto oceano. “A abundância de vales implica uma quantidade muito expressiva de precipitação. Isso praticamente acaba com a dúvida de que Marte teve chuva em seu passado”, disse Hynek. E um oceano era necessário para sustentar essa precipitação.
“Uma das principais questões que gostaríamos de ver resolvida no futuro é para onde foi toda essa água”, disse Di Achille.
Fonte:

Métodos desenvolvidos por Eder Martioli, doutorando do curso de pós-graduação em Astrofísica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), contribuíram para identificar dois planetas que orbitam a mesma estrela mas em diferentes inclinações.
“Pela primeira vez se mediram as inclinações das órbitas de dois exoplanetas de um mesmo sistema planetário. Esse sistema, chamado Upsilon Andromedae, possui três planetas detectados, sendo que, surpreendentemente, dois deles possuem órbitas não alinhadas. Essas medidas foram realizadas com a mesma técnica descrita em minha tese”, informa Eder Martioli.
O estudo aponta que diversos cenários gravitacionais poderiam ter causado a inclinação notável em Upsilon Andromedae, incluindo interações durante a migração de um planeta para mais perto da estrela, perturbações causadas por uma outra estrela ou a expulsão de um planeta para fora do sistema.
“As descobertas significam que estudos futuros de sistemas exoplanetários serão mais complicados. Os astrônomos não podem mais presumir que todos os planetas orbitam a estrela num mesmo plano”, disse Barbara McArthur, do Observatório McDonald da Universidade do Texas, uma das autoras da descoberta.
Há mais de dez anos que os astrônomos sabem que três planetas do tamanho de Júpiter orbitam a estrela Upsilon Andromedae, semelhante ao Sol e a 44 anos-luz. Ela é um pouco mais jovem, brilhante e tem mais massa que o Sol. O grupo de pesquisadores determinou a massa de dois dos planetas, Upsilon Andromedae c e d, e descobriu que não estão no mesmo plano. O estudo mostra que as órbitas de c e d estão inclinadas em 30º em relação uma à outra. A equipe descobriu ainda um quarto planeta, muito mais distante da estrela.

Crédito da imagem: NASA, ESA and A. Feild (STScI).
“Muito provavelmente Upsilon Andromedae teve o mesmo processo de formação que o nosso sistema, embora possam ter ocorrido diferenças nos estágios finais e que semearam essa evolução divergente”, disse elainda segundo McArthur. “A premissa da evolução planetária, até agora, tem sido de que sistemas planetários formam-se no disco e se mantêm relativamente coplanares, como o nosso, mas agora temos a medição de um ângulo significativo entre esses planetas, o que indica que este não é sempre o caso”.
O estudo foi baseado nos dados obtidos pelo Telescópio Espacial Hubble, Telescópio Hobby-Eberly e outros telescópios baseados no solo, combinados com modelos teóricos.
A descoberta do grupo de pesquisa do Observatório McDonald da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, acaba de ser publicada na versão online do Astrophysical Journal: http://iopscience.iop.org/0004-637X/715/2/1203/
Fonte:

Uma equipe, liderada pelos pesquisadores do instituto de Astrofísica das ilhas Canárias (IAC), descobriu as moléculas orgânicas mais complexas até hoje detetadas no meio interestelar.
Fiquem aqui com a notícia, em castellano:
Artículo en Astrophysical Journal Letters, 685, L55-L58: “Evidence for the naphthalene cation in a region of the interstellar medium with anomalous microwave emission”.
S. Iglesias Groth, A. Manchado, A. García Hernández. Instituto de Astrofísica de Canárias
J. I. González Hernández. Observatório de Paris
D. L. Lambert. Observatório Mc Donald, Universidade do Texas

a, A birds-eye view of the 16-km free-space quantum teleportation experiment. Charlie sends photon 1 to Alice for BSM. Classical information, including the results of the BSM and the signal for time synchronization, is sent through the free-space channel with photon 2, to Bob, before decoding and triggering of the corresponding unitary transformation. b, Sketch of the experimental system. The phase-locking laser (green dashed) is injected into the interferometer to probe phase drift for feedback control on the PTS. The results of the BSM and the time information are modulated to laser pulses (638 nm, blue line) with Hamming code by Encoder, before combining with photon 2 (red line) using a DM. They are then sent together to Bob’s site by the SRT. Once received by the OPRT, they are split with another DM, and analysed by Decoder to apply the corresponding unitary operation on photon 2 through the EOM, and to subject the time synchronization signal to coincidence logic for coincidence measurement.
Cientistas da Universidade de Ciência e Tecnologia da China e da Universidade de Tsinghua, conseguiram teletransportar informação quântica, na distância de 16 km, entre fótons, muito mais do que as poucas centenas de metros antes alcançadas, o que nos aproxima de transmitir informações a longas distâncias sem a necessidade de um sinal tradicional.
O teletransporte de informação quântica não é o mesmo que o teletransporte que a maioria das pessoas pensam ser, como na ficção cientifica, onde um objeto (ou pessoa) em um lugar é “teletransportado para um outro local onde uma cópia perfeita é replicada. No teletransporte quântico dois fótons são enredados de tal maneira que quando o estado quântico de um é alterado o estado do outro também muda, como se os dois ainda estivessem ligados.
No experimento a fidelidade média alcançada no teletransporte foi de 89 por cento.
O paper pode ser avaliado em sua íntegra em Nature Photonics.
Mais informações:
Xian-Min Jin, Experimental free-space quantum teleportation, Nature Photonics, Published online: 16 May 2010. doi:10.1038/nphoton.2010.87
O lendário Toulouse, do fórum Sondas Espaciales, nos alertou para este fantástico vídeo realizado por "SpaceOpera", usuário do fórum La Conquête Spatiale, mostrando o voo suborbital da Mercury MR-3 (Freedom-7) de Alan Shepard, em 05 de maio de 1961.
Durante essa missão, Shepard, se converteu no primeiro norteamericano no espaço.
No vídeo podemos assistir os 17 minutos de voo, desde o lançamento do foguete Redstone até o pouso da cápsula no mar, através de várias câmeras situadas no interior da Mercury e animações realizadas com o simulador Orbite. Em especial, chama a atenção a câmara usada para filmar o painel de instrumentos.
Todas as imagens estão sincronizadas entre si e com o áudio original.
Ao ver o vídeo, de uma didática incrível, o consultor de Astronomia para o portal Via Fanzine, Márcio R. Mendes, nos alerta, "como o voo do Shepard foi curto, 17 minutos, realmente não havia muito o que fazer à bordo. O papelzinho com a listinha de procedimentos, tipo "colinha", usado pelo astronauta, é muito bom !!!, além dos informes das ações do astronauta através dos textos e com acompanhamento das reações da capsula ( nome que os astronautas detestavam ! ). As ações dos contrôles básicos Pitch / Yaw / Roll estão didaticamente mostrados ali. O Shepard subiu para veirificar a nave em seu habitat natural ( vácuo do espaço ), além de testar o periscópio e .. só isso. A luz que entra na cabine a medida que a Mercury rotaciona é um detalhe muito curioso no vídeo; além do acionamento dos três retrofoguetes. Neste ponto, ao assistir ao vídeo, é bom estar ciente que o veículo vem voando de "marcha à ré" e o acionamento dos retrosfoguetes é justamente para redução da velocidade orbital. Com esta redução ( na verdade uma taxa de redução ), acaba proporcionando o "ângulo de entrada correto" ( se for muito brusco ou acentuado o ângulo de reentrada ), a coisa "queima" na atmosfera ! A gravidade faz seu papel e a cápsula começa sua queda em direção ao planeta."

crédito da imagem: treedork’s photostream
Segundo dois estudos feitos por duas equipes internacionais que trabalharam de forma independepente e publicam seus trabalhos simultaneamente na edição desta semana da revista britânica Nature, o asteróide 24 Themis, que mede cerca de 200 Km de diâmetro e fica a meio caminho entre Marte e Júpiter, é todo coberto por uma fina camada de gelo fresco e também apresenta sinais da existência de moléculas orgânicas. E não se trata da presença esparsa de gelo na superfície do astro.
A descoberta é importante por não ser esperada, já que para explicar a presença de gelo puro na superfície do asteróide devem invocar-se mecanismos erosivos (micrometeoritos) pouco compreendidos até agora, devido à distância que se encontra 24 Themis do Sol, ou seja, pela distância o gelo teria sublimado em pouco tempo.
“Não é possível saber com certeza qual é a espessura do gelo”, afirma a astrofísica brasileira Thais Mothé Diniz, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), coautora de um dos estudos, do artigo redigido pela equipe de Humberto Campins, da Universidade da Flórida Central. “Mas ela deve ter entre alguns centímetros e uns poucos metros”.
A presença de matéria orgânica (condritos carbonaceos) e gelos (não só de água) em asteróides é algo de sobras conhecido e muito comum à medida que nos afastamos do Sol, ainda que a bem da verdade, no caso do gelo “asteroidal” só se pôde detectar desde a Terra recentemente, isto se deve a não emissão de luz própria por parte dos asteróides. Mas isso foi contornado, por ambos os times de astrofísicos com o uso do telescópio infravermelho da Nasa instalado em Mauna Kea, no Havaí. Com a ajuda do aparelho, eles estudaram a luz do Sol refletida pela superfície do 24 Themis em comprimentos de onda do infravermelho situados entre 2 e 4 micrômetros.
As análises da espectrometria das duas equipes chegaram basicamente à mesma conclusão: o asteróide deve ser revestido por uma delgada capa de gelo, misturada com moléculas orgânicas. “24 Themis mantém essa capa de gelo provavelmente desde que a Terra se formou, há cerca de 4,5 bilhões de anos”, diz Thais, que é especialista em asteroides.
Os pesquisadores especulam que o asteroide deve ter um reservatório de água escondido em seu interior, metros abaixo da superfície, que fornece com regularidade a matéria-prima para que haja permanentemente gelo em volta de sua crosta. Vapor d’água escaparia desse reservatório subterrâneo e migraria para a superfície do asteroide, onde parte dele daria origem à perene camada gelo. Se isso não ocorresse, dizem os cientistas, a presença ali de água congelada deveria ser forçosamente efêmera.
A temperatura média de 24 Themis é de cerca de 200 K (-73°C). Nesse cenário, água congelada em um corpo celeste situado à mesma distância do Sol em que está o asteróide descrito nos papers da Nature simplesmente sublima depois de algum tempo — vira vapor sem passar pela fase líquida.
Como já disse no começo deste texto, nunca se duvidou de que os asteróides tenham tido, em algum momento de seu passado remoto, gelo, as se acreditava que hoje não seria mais possível encontrar uma astro dessa classe com esse perfil (todo o gelo já teria sublimado). Afinal, hoje a presença de gelo está associada a cometas, e não a asteroides. Mas essa idéia vem sendo questionada recentemente e talvez o conceito que separe um cometa de um asteroide já não seja mais tão rígido como antigamente.
Antes de se achar a camada de gelo em 24 Themis, astrofísicos já haviam obtido pistas de que outros dois asteróides apresentavam uma pequena quantidade de gelo sublimado em sua superfície. “Asteróides são geralmente vistos como sendo muito secos”, diz o astrofísico Joshua Emery, da Universidade do Tennessee, principal autor do segundo artigo científico sobre 24 Themis. “Parece agora que, quando os asteróides e os planetas estavam se formando nos primórdios do sistema solar, a presença de gelo se estendia para dentro da área do cinturão de asteróides”.
Um dos desafios dos astrofísicos agora é descobrir se 24 Themis é apenas uma exceção à regra ou há outros asteróides de perfil semelhante.
Só lembrando, não se trata de uma descoberta tão nova assim, já que os dados do 24 Themis são conhecidos desde o ano passado, ainda que é só agora aparece o artigo na Nature.

The shape and wavelength of the 3.1-μm absorption in this asteroid is interpreted here and in the companion Letter7 as being due to water ice as opposed to hydrated minerals. There are also absorptions in all our spectra between 3.3 and 3.6 μm that are closely matched by organic compounds.
To facilitate searching for possible rotational variation, we grouped the spectra into four separate time intervals, which are plotted in this figure (open symbols and crosses) along with the mean of all our reflectance spectra (solid dots). To plot the reflectance spectrum, we remove the solar spectrum and any thermal emission; at the longest wavelength, 3.6 μm, the subtracted thermal contribution was approximately 20%. The spectra have been normalized at 2.4 μm and for clarity each set is offset from the previous one by 0.15 in relative reflectance.
The uncertainties are only plotted for the mean spectrum; error bars correspond to 1 s.d. and the spectral resolution (λ/Δλ; λ, wavelength) is ~100. We omit the spectral region from 2.45 to 2.83 μm because the Earth’s atmosphere is essentially opaque at these wavelengths. We note that the ice and organics absorption bands, at 3.1 μm and between 3.3 and 3.6 μm, preserve their shape and depth throughout the rotation of the asteroid; that is, there is not a significant deviation from the mean in any of the four spectral sets. Hence, the ice and organics are widespread on the surface of this asteroid.