A ilha dos daltônicos
No livro A ilha dos daltônicos, o neurologista inglês Oliver Sacks depara-se com uma situação peculiar numa ilha do Atol de Pingelap, no Pacífico.
Isolados, os habitantes da ilha nasciam daltônicos e desenvolviam um tipo de vida completamente adaptado a essa condição.
E, se lembrarmos de Darwin e Wallace, podemos entender ainda melhor o fascínio de Sacks pelo caso, porque a ilha foi um dos objetos do estudo que deu origem à teoria da evolução, e não dá para pensar em evolução sem pensar em adaptação.
De lá vêm reflexões sobre a natureza do tempo geológico profundo, a disseminação das espécies, a gênese das doenças.
Vêm também histórias sobre as cicadáceas, teimosas plantas do período paleozóico, histórias de uma paralisia neurodegenerativa que vitima apenas os membros de certo grupo social, os chamorros, nas ilhas Marianas.
Daltônicos
O daltonismo (também chamado de discromatopsia ou discromopsia) é uma perturbação da percepção visual caracterizada pela incapacidade de diferenciar todas ou algumas cores, manifestando-se muitas vezes pela dificuldade em distinguir o verde do vermelho. Esta perturbação tem normalmente origem genética, mas pode também resultar de lesão nos orgãos responsáveis pela visão, ou de lesão de origem neurológica.
O distúrbio, que era desconhecido até o século XVIII, recebeu esse nome em homenagem ao químico inglês John Dalton, que foi o primeiro cientista a estudar a anomalia de que ele mesmo era portador.
A ferramenta mais precisa para identificar o daltonismo e que é amplamente utilizada por especialista no mundo todo, é o anomaloscope.
O aparelho
Um anomaloscope é baseado em um jogo de cores. São jogadas duas cores diferentes de luz e elas precisam ser ajustadas para ficarem iguais. De um lado você tem uma cor amarela que pode ser ajustada quanto a intensidade de brilho e do outro lado é feito por uma vermelha e uma luz verde enquanto que a proporção e a mistura delas é variável.
Teste de Ishihara
O Teste de cores de Ishihara é um teste para detecção do daltonismo.
Recebeu esse nome devido ao Dr. Shinobu Ishihara (1879-1963), um professor da Universidade de Tóquio, que foi o criador desses testes em 1917.
O exame consiste na exibição de uma série de cartões coloridos, cada um contendo vários círculos feitos de cores ligeiramente diferentes das cores daqueles situados nas proximidades. Seguindo o mesmo padrão, alguns círculos estão agrupados no meio do cartão de forma a exibir um número que somente será visível pelas pessoas que possuírem visão normal.
Ao todo são exibidas 32 placas para identificação dos algarismos ocultos entre os círculos. O número de acertos pode variar conforme o grau e o tipo de daltonismo.
O teste pode ser feito pelo Colblindor de Daniel Flück.
Entrevista de Oliver Sacks no programa Roda Viva, da Rede Cultura de São Paulo, em 2004.Aqui.